domingo, dezembro 24, 2006

Boas Festas On Tour




Os filhos de pais separados têm um Natal diferente dos outros.
Os filhos de pais separados sofrem nesta altura de um problema que é não terem o dom da ubiquidade. Não temos, pronto, mas dava jeito se o tivéssemos.
Quando somos pequenos, dividimo-nos – obrigatoriamente – pelos almoços e jantares sucessivos de véspera, almoço do dia de Natal, jantar do dia de Natal, lanche do dia de Natal, enfim, uma tourné de farta comezaina e prendas até mais não. Mas isto é quando somos pequenos.
Quando somos grandes, a coisa piora. Porque temos vontade própria, porque este ano não me apetece andar de um lado para o outro mas lá vai ter que ser, porque isto ou muitas vezes – e isto é muito frequente – porque aquilo.
Depois de sermos grandes, somos finalmente adultos, juntos com uma mulher que também tem família e que – é preciso procurar muito mas com um bocadinho de trabalho encontra-se – também é filha de pais separados. Dobra a parada. 4 conjuntos de pais para duas pessoas. É muita fruta – para não dizer que é como o Super Sumo dos Gato Fedorento.
E se durante alguns anos conseguimos gerir a coisa, ferindo uma susceptibilidade aqui, uma susceptibilidade ali, quando temos filhos a coisa piora. Oh lá se piora. Agora não somos nós o centro das atenções, são os nossos filhos. É a Pim Pim que é desejada e querida e adorada por todos os avós – os legítimos e os postiços (que para mim também são avós).
Acontece que há sempre alguém a ficar pendurado e necessariamente, mais do que um ano seguido. Pendurados, mas para as grandes ocasiões – que são 3; a saber: jantar de Natal, Almoço do dia e jantar do dia. É assim que tecnicamente se designam os repastos da época.
E isto levanta uma série de problemas a quem, como eu, de contabilidade conhece o T e 2 ou 3 noções. Fraquinho, portanto.
E por norma, dá merda.
“Ah, porque o ano passado não vieste cá” e o outro “Ah porque já é o 3º ano que não jantas na véspera” e outro ainda “Ah – e começam todos sempre por Ah – porque eu gostava de ver a Pim Pim na noite de Natal”. Irra.
Não é fácil.
Se somarmos a isto o meu irmão – filho do 2º casamento da minha mãe que, surprise surprise, é filho de pais separados, está o caldo entornado. É mais um que tem que gerir a sua agenda de Natal para jantar com o mano, ou almoçar com o mano, ou – como este ano – ver o mano ao almoço de 30 de Dezembro.
Afinal de contas, até aos Reis ainda é Natal não é?

7 comentários:

Carla Veríssimo disse...

Descobri no outro dia o teu mail e fiquei apaixonada pela forma como expressas o teu amor pela Pim Pim, pela tua mulher e por todos!
Também sei como é dificil gerir tudo quando se é filha de pais separados...
Assim: uma boa gestão para este Natal, e tudo de bom para 2007!
Quando nasce o mano da Pim Pim?!

Gaguinho disse...

Janeiro. o mês do "mani'jinho" é janeiro. feliz natal.

miguel brito disse...

felicidades para o "mani'jinho"!

Ana disse...

Bem, grande trapalhada. Assim fica mesmo complicado. Devia de haver um pouco de compreensão para convosco.. Feliz Natal*

Princezinha disse...

Como eu compreendo perfeitamente o que contas no teu post. Também eu sou filha de paisseparados e toda a vida foi assim, tipo bolinha de ping-pong...até um dia em que me fartei! Bom tudo isto para te desejar um Bom 2007 e está quase quase a nascer! Felicidades

Paula disse...

Passei por aqui por acaso e adorei. Um Feliz 2007, felicidades para o "mani'jinho" da pim pim, e "keep up the good work"!

Amor, Alegria e Felicidade são os desejos para este novo ano que vai começar.



ps.visita-nos ;)

Anónimo disse...

Pues tienes razón. Mi hijo Adrián es de padres separados (o sea mío y de mi ex marido), y yo lo tengo por ejemplo la cena del 24 y la comida del 25 y su padre la cena del 31 y la comida del 1... No le gusta mucho ir a casa de su padre, pero es su padre y lo será siempre y mi intención es que lo quiera mucho. De todas formas, y aunque parezca duro, tiene por otra parte doble cantidad de gente que lo quiere, su padre, la mujer de su padre, su hermano Alvaro (y otro hermano que va a tener por esa parte) y también lo quiere mi marido, su hermana Bárbara y por supuesto yo. Y no será la mejor situación del mundo, pero yo prefiero esa situación a la de mis padres (mi padre por desgracia ya murió), que nunca se llevaron bien, que siempre se peleaban, que todo eran insultos y faltas de respeto del uno al otro. En fin, la vida no es perfecta, pero hay que intentar llevarla lo mejor posible.
Besos, feliz año. Me gustó mucho la felicitación de pim-pim. Marion