De volta ao costume.
Sem ir para a praia de manhã cedo com a Pim, sem voltar e passar pela praça e sem sardinhadas nem almoços até às 4 da tarde.
Sem tempo para ter tempo e sem tempo para perder tempo a pensar nestas coisas.
A Pim voltou à escola. A mãe voltou ao escritório e o entrocho pequenino está a prazo com alguém que não existe de tanta boa vontade até entrar no berçário em Agosto.
Sair de casa custa agora mais do que antes das férias. São 2 para vestir, para comer, para tratar. Uma só para correr atrás e dizer anda cá vinte vezes seguidas. Uma só para tentar convencer do uso desta saia ou deste elástico em vez da outra saia ou dos ganchos da cinderela.
Mas agora são 2 e não se tratam sozinhos.
Custa mais mas dá o dobro do gozo. É o dobro dos sorrisos e o dobro da baba.
Voltei a um costume que de costume não tem nada. Mas voltei.
Agora é só endireitar os dias uns atrás dos outros. Só.
quinta-feira, junho 28, 2007
terça-feira, junho 19, 2007
quatro e 15, dezanove
Estive 4 dias na Turquia na maior festa que alguma vez vi – e olhem que já vi algumas... 4 dias de loucura para celebrar o 25º aniversário da empresa onde tenho o privilégio de trabalhar. 650 pessoas de mais de 10 nacionalidades diferentes em 4 dias de diversão sem parar. Um Club Med por nossa conta, festas temáticas e bar aberto. 4 dias de festa com gente crescida que mais pareceram uma viagem de finalistas de gente miúda. Dormi pouco, bebi muito e dancei ainda mais. Banhos de mar às 3 da manhã, piscina até às 5, pólo aquático ao nascer do sol, pequenos almoços de óculos escuros e muito rir. Muita gente “boa onda” que se juntou ali, à beira da piscina para dizer disparates horas a fio. E isso faz tão bem... e depois de uma última noite em claro com direito a 2 voos absolutamente silenciosos, regressei a casa. Mas só num lusco fuzco de desfazer a mala, voltar a fazê-la e desandar rapidamente para aqui.
Voltei.
Para 15 dias de férias na maior tranquilidade – e não é que o Paulo Bento também aqui tem casa?? – em pleno Alentejo. 15 dias de paz. 15 dias de família. Os 4. Com amigos, nos feriados e fins de semana, mas acima de tudo, em família. E faz-me tão bem isto. Ver a Pim feliz da vida – ela que em Lisboa passa a vida a perguntar quando é que vamos para a casa do Alentejo? – aos saltos no jardim, com as bonecos e com os Legos, com os livros e tudo o mais que vai arranjando: olha uma pinha pai! Olha... um caracol! Pai pai, ‘tá aqui um gato. Olha aqui na minha mão... um bicho da ponta. Da conta filha, um bicho da conta. Isso.
Adora. E o mais pequeno, ora dentro, ora fora de casa. Ora a rir-se da irmã, ora a fazê-la rir. ‘Tás a rir de quê Pim? ‘Tou a ver uns pezinhos pequeninos.
E o pão? Eu que nem sou apreciador por aí além. O pão alentejano é o pão dos pães de certeza absoluta. E as sardinhadas? Numa semana já foram 4. E não vão ficar por aqui. E a chuva – que só me deixou ir à praia 1 dia? Está de tal forma que a mãezinha olha para o céu e desabafa: já mete nojo isto. E a verdade é que mete um bocadinho...
Mas estamos de férias. Os 4. 15 dias de passar o dia juntos. 15 dias de acumular piadas da Pim. (O Diz que disse tem que ser rapidamente actualizado.) E o pequenino que já se vira parece um pião? É um ápice enquanto levanta as pernas, toma balanço et voilá. Tira um bracito, tira outro e eis que surge de cabeça levantada. Mais que um príncipe, um rei.
Têm sido assim os meus dias. E ainda tenho uma semana disto. Ah como sabe bem esta coisa das férias em família.
Voltei.
Para 15 dias de férias na maior tranquilidade – e não é que o Paulo Bento também aqui tem casa?? – em pleno Alentejo. 15 dias de paz. 15 dias de família. Os 4. Com amigos, nos feriados e fins de semana, mas acima de tudo, em família. E faz-me tão bem isto. Ver a Pim feliz da vida – ela que em Lisboa passa a vida a perguntar quando é que vamos para a casa do Alentejo? – aos saltos no jardim, com as bonecos e com os Legos, com os livros e tudo o mais que vai arranjando: olha uma pinha pai! Olha... um caracol! Pai pai, ‘tá aqui um gato. Olha aqui na minha mão... um bicho da ponta. Da conta filha, um bicho da conta. Isso.
Adora. E o mais pequeno, ora dentro, ora fora de casa. Ora a rir-se da irmã, ora a fazê-la rir. ‘Tás a rir de quê Pim? ‘Tou a ver uns pezinhos pequeninos.
E o pão? Eu que nem sou apreciador por aí além. O pão alentejano é o pão dos pães de certeza absoluta. E as sardinhadas? Numa semana já foram 4. E não vão ficar por aqui. E a chuva – que só me deixou ir à praia 1 dia? Está de tal forma que a mãezinha olha para o céu e desabafa: já mete nojo isto. E a verdade é que mete um bocadinho...
Mas estamos de férias. Os 4. 15 dias de passar o dia juntos. 15 dias de acumular piadas da Pim. (O Diz que disse tem que ser rapidamente actualizado.) E o pequenino que já se vira parece um pião? É um ápice enquanto levanta as pernas, toma balanço et voilá. Tira um bracito, tira outro e eis que surge de cabeça levantada. Mais que um príncipe, um rei.
Têm sido assim os meus dias. E ainda tenho uma semana disto. Ah como sabe bem esta coisa das férias em família.
De memória:
Desabafos
terça-feira, maio 22, 2007
Até parece que o ouço
Como faço todas as noites, vou ver as crianças a dormir. Tapo-as, ponho-as direitas, penteio o cabelo da pim e tiro o lençol que inevitavelmente irá parar à boca do mais pequenino.
Vim agora de lá e até parece que conseguia ouvir o Bruno Nogueira a sussurar-me ao ouvido: "é que são perfeitos pá"
Vim agora de lá e até parece que conseguia ouvir o Bruno Nogueira a sussurar-me ao ouvido: "é que são perfeitos pá"
De memória:
Tanta baba é capaz de deixar nódoa
segunda-feira, maio 21, 2007
Então e se...
A arte d'imaginar lançou-me o desafio. E eu - que nem sou muito destas coisas - aceitei. Porque o convite foi simpático e o desafio também. E se...
Se fosse uma hora do dia, seria: o nascer do sol porque a seguir vem um dia inteiro novinho em folha
Se fosse um astro, seria: o sol… preciso de fazer a minha fotosíntese
Se fosse uma direcção, seria: a direcção da razão
Se fosse um móvel, seria: a minha cama que é linda e sabe sempre tão bem
Se fosse um líquido, seria: uma coca cola gelada numa noite quente ou uma caipiosca doce junto à piscina
Se fosse um pecado, seria: a luxúria. se fosse 2, juntava-lhe a gula.
Se fosse uma pedra seria: duro como não sou capaz e sem grande graça.
Se fosse uma árvore, seria: aquela árvore que no meio do nada, se ergue frondosa para uma sombra refrescante depois da brincadeira de um dia de verão
Se fosse um fruto, seria: qualquer um (triturado, moído e feito gelado no Santini)
Se fosse uma flor, seria: uma gerbera
Se fosse um clima, seria: tropical
Se fosse um instrumento musical, seria: uma voz sonora, melodiosa e calma; uma guitarra, um batuque numa mesa, um emissor de bom som.
Se fosse um elemento, seria: o ar, onde se voa e se sonha
Se fosse uma cor, seria: infeliz. se fosse muitas, não.
Se fosse um animal, seria: um tigre ou um tubarão.
Se fosse um som, seria: música
Se fosse uma música, seria: um Black Bird dos Beatles ou tantas outras que não largo.
Se fosse um estilo musical, seria: um jazz-bossa nova (daqueles rasgados pela alma) ou então não. Seria qualquer coisa que fizesse com que as pessoas se sentissem bem.
Se fosse um sentimento, seria: a amizade. é esse o princípio de tudo.
Se fosse um livro, seria: O Meu Pé de Laranja Lima (acho que foi o meu primeiro amor em texto)
Se fosse uma comida, seria: um Apple Crumble
Se fosse um lugar, seria: Lisboa num domingo à tarde, o Douro numa manhã, ou aquela praia até cair a noite. Ou então o Lago Nakuru ou Grennwich Village.
Se fosse um gosto, seria: doce
Se fosse um cheiro, seria: o dos meus filhos
Se fosse uma palavra, seria: pouco. que não consigo escolher nenhuma... talvez Olá que é uma palavra feliz
Se fosse um verbo, seria: amar, beijar, tocar, sentir.
Se fosse um objecto, seria: da Apple
Se fosse uma peça de roupa, seria: uma T-shirt
Se fosse uma parte do corpo, seria: os olhos daqueles que falam
Se fosse uma expressão facial, seria: rir muito
Se fosse uma personagem de desenhos animados, seria: o Bart Simpson com 35 anos
Se fosse um filme, seria: este ou o Straight Story
Se fosse uma forma, seria: redondo para não magoar ninguém
Se fosse um número, seria: par
Se fosse uma estação, seria: A Grand Central Station, a estação do Pinhão num dia calmo ou então pronto, o Verão.
Se fosse uma frase, seria: Amo-te; mais que a vida, mais que o mundo
E se eu tivesse consguido escolher um só "se" em tantas suposições seria mais simples.
Como é suposto, cabe-me então lançar o repto a mais alguém, certo? Então agora é convosco.
Aroma de Amora
A Sério
Espelho Meu
Canela & Açucar
Se fosse uma hora do dia, seria: o nascer do sol porque a seguir vem um dia inteiro novinho em folha
Se fosse um astro, seria: o sol… preciso de fazer a minha fotosíntese
Se fosse uma direcção, seria: a direcção da razão
Se fosse um móvel, seria: a minha cama que é linda e sabe sempre tão bem
Se fosse um líquido, seria: uma coca cola gelada numa noite quente ou uma caipiosca doce junto à piscina
Se fosse um pecado, seria: a luxúria. se fosse 2, juntava-lhe a gula.
Se fosse uma pedra seria: duro como não sou capaz e sem grande graça.
Se fosse uma árvore, seria: aquela árvore que no meio do nada, se ergue frondosa para uma sombra refrescante depois da brincadeira de um dia de verão
Se fosse um fruto, seria: qualquer um (triturado, moído e feito gelado no Santini)
Se fosse uma flor, seria: uma gerbera
Se fosse um clima, seria: tropical
Se fosse um instrumento musical, seria: uma voz sonora, melodiosa e calma; uma guitarra, um batuque numa mesa, um emissor de bom som.
Se fosse um elemento, seria: o ar, onde se voa e se sonha
Se fosse uma cor, seria: infeliz. se fosse muitas, não.
Se fosse um animal, seria: um tigre ou um tubarão.
Se fosse um som, seria: música
Se fosse uma música, seria: um Black Bird dos Beatles ou tantas outras que não largo.
Se fosse um estilo musical, seria: um jazz-bossa nova (daqueles rasgados pela alma) ou então não. Seria qualquer coisa que fizesse com que as pessoas se sentissem bem.
Se fosse um sentimento, seria: a amizade. é esse o princípio de tudo.
Se fosse um livro, seria: O Meu Pé de Laranja Lima (acho que foi o meu primeiro amor em texto)
Se fosse uma comida, seria: um Apple Crumble
Se fosse um lugar, seria: Lisboa num domingo à tarde, o Douro numa manhã, ou aquela praia até cair a noite. Ou então o Lago Nakuru ou Grennwich Village.
Se fosse um gosto, seria: doce
Se fosse um cheiro, seria: o dos meus filhos
Se fosse uma palavra, seria: pouco. que não consigo escolher nenhuma... talvez Olá que é uma palavra feliz
Se fosse um verbo, seria: amar, beijar, tocar, sentir.
Se fosse um objecto, seria: da Apple
Se fosse uma peça de roupa, seria: uma T-shirt
Se fosse uma parte do corpo, seria: os olhos daqueles que falam
Se fosse uma expressão facial, seria: rir muito
Se fosse uma personagem de desenhos animados, seria: o Bart Simpson com 35 anos
Se fosse um filme, seria: este ou o Straight Story
Se fosse uma forma, seria: redondo para não magoar ninguém
Se fosse um número, seria: par
Se fosse uma estação, seria: A Grand Central Station, a estação do Pinhão num dia calmo ou então pronto, o Verão.
Se fosse uma frase, seria: Amo-te; mais que a vida, mais que o mundo
E se eu tivesse consguido escolher um só "se" em tantas suposições seria mais simples.
Como é suposto, cabe-me então lançar o repto a mais alguém, certo? Então agora é convosco.
Aroma de Amora
A Sério
Espelho Meu
Canela & Açucar
De memória:
Não se diz que não a um convite tão simpático
quarta-feira, maio 16, 2007
às vezes penso nisso

Às vezes questiono-me como é que já quase 13.000 vezes esta ideia vos passou pela cabeça: "ora deixa lá ver....agá têtê pê dois pontos barra barra, biccristal ponto blogspot ponto com"
De memória:
É que ele há coisas...
quinta-feira, maio 10, 2007
Uma ideia para os domingos de manhã

A partir de 13 de Maio, os Armazéns do Chiado promovem uma iniciativa a que deram o nome de "Uma História ao Domingo".
No espaço irão estar algumas figuras públicas da nossa praça para contarem uma história aos mais pequeninos.
Uma boa ideia para os domingos de manhã. E por aqui, quem e em que dia.
De memória:
Eu já comprei esta ideia
sábado, maio 05, 2007
O sol e o sol
Olha ali um sol. Já viste como é bonito mesmo sem legenda? Tem a luz dos dias e vem num sorriso doce. Olha outro, mais pequenino. E sorri antes de me ir embora e sorri assim que chego. Olha no vazio e para mim, no vazio e para mim e perde-se de sorrisinhos pequeninos quando me ouve.Olha ali um sol a fazer disparates. Não se aperta o nariz do sol pequenino. Já disse, não disse? Já. Então vá, uma festinha devagar. Um beijo.
Beijo cada sol antes de ir dormir e beijo cada sol como se fosse um só. Dão-me luz estes meus filhos. Muita muita luz.
De memória:
Tinha mesmo que escrever isto
Diz que disse 13
Ao jantar
Pim: "Estou apaixonada por ti pai"
Eu (com as lágrimas a querer saltar e mais inchado que uma baleia azul): "Eu também estou apaixonado por ti filha"
Pim: "Então estamos apaixonados um pelo outro"
Ah como a vida é linda.
Pim: "Estou apaixonada por ti pai"
Eu (com as lágrimas a querer saltar e mais inchado que uma baleia azul): "Eu também estou apaixonado por ti filha"
Pim: "Então estamos apaixonados um pelo outro"
Ah como a vida é linda.
De memória:
Diz que disse
quinta-feira, maio 03, 2007
Outra Vez

Encosto-me. A nada e a ti. Deito a cabeça no colo da noite para te ver passar. Recortada, à frente da lua, desfilas um rosário de promessas de sol. Silhueta de luz fosca, paleta de pretos que não chegam a cinza e tu, serena, vais passando levando a brisa contigo sendo a brisa quem te arrasta.
Choveu ainda não fez um dia. Choveu devagar. E molhou-me as ideias e limpou-me a cara. Pelo corpo abaixo, em cada ruela de braços e pernas e tronco, choveu. A água levou tudo o que podia. Levou-me as ideias que tinha para amanhã.
Deixou-me.
E por mais que procure palavras novas são sempre as mesmas.
E por mais que procure palavras novas são sempre as mesmas.
E por mais que procure palavras novas são sempre as mesmas.
E não é que não procure com força, mas são sempre sempre as mesmas.
Sou sempre eu nesta mesma posição: de cara virada ao mar com a lua a bater-me nos olhos.
Sou sempre eu aqui ao fim de um dia que já é princípio de outro. Volto amanhã ou será que é já hoje?
Volto ou não volto? Volto?
Hei-de voltar. Se ao menos conseguisse arranjar uma palavra nova então voltava mais depressa. Se ao menos conseguisse outra posição – mas não dá jeito para escrever.
Se ao menos não fosse eu aqui.
De memória:
Desabafos
sexta-feira, abril 27, 2007
Diz que disse 12
De manhã, à ida para a escola, paramos num semáforo ao lado de um mupi com um anúncio da Swatch.
Pim: "Olha o relógio pai"
Eu: "Gostas filha"
Pim: "Sim. É para mim?"
Eu: "Não Pim. Tu tens o bracinho muito pequeno. Aquele relógio é muito grande."
Pim: "Então compra um pequenino"
Eu:"Oh Pim, mas não sabes ver as horas...."
Pim: "Sei sei."
Eu: "Sabes?" - estendi-lhe o braço e mostrei-lhe o meu relógio - "Então que horas são?"
Olhou com muita atenção e disparou "São horas de ir para a escola, pai".
Linda.
Pim: "Olha o relógio pai"
Eu: "Gostas filha"
Pim: "Sim. É para mim?"
Eu: "Não Pim. Tu tens o bracinho muito pequeno. Aquele relógio é muito grande."
Pim: "Então compra um pequenino"
Eu:"Oh Pim, mas não sabes ver as horas...."
Pim: "Sei sei."
Eu: "Sabes?" - estendi-lhe o braço e mostrei-lhe o meu relógio - "Então que horas são?"
Olhou com muita atenção e disparou "São horas de ir para a escola, pai".
Linda.
De memória:
Diz que disse
domingo, abril 15, 2007
Diz que disse 11
Hoje de manhã ao pequeno almoço:
Pim: "Pai , ajuda-mes?"
Pai: "Ajudo, mas não é "ajuda-mes"; é ajudas-me. É assim (e vou apontando ora para mim, ora para ela) Ajudas-ME? Eu ajudo-TE. Perecbes Pim? ME a mim, TE a ti, percebes?Diz lá, ajudas-ME? Eu ajudo-TE. ME, ajudas-ME a mim, TE, ajudo-TE a ti. Percebes filha?"
Olha para mim com ar de enfado.
"Pai, quero comer."
Pim: "Pai , ajuda-mes?"
Pai: "Ajudo, mas não é "ajuda-mes"; é ajudas-me. É assim (e vou apontando ora para mim, ora para ela) Ajudas-ME? Eu ajudo-TE. Perecbes Pim? ME a mim, TE a ti, percebes?Diz lá, ajudas-ME? Eu ajudo-TE. ME, ajudas-ME a mim, TE, ajudo-TE a ti. Percebes filha?"
Olha para mim com ar de enfado.
"Pai, quero comer."
De memória:
Diz que disse
sábado, abril 14, 2007
Um mundo Faz de Conta ou Coisas Giras para os Miúdos.

Tenho 2 amigas que decidiram agarrar na sua vontade e no seu talento e fazer o seu negócio.
Vai daí, criaram um mundo Faz de Conta cheio de cor e alegria.
Admiro-lhes a coragem – pelo negócio – e o talento – porque têm.
Descubram aqui que mundo é este afinal.
De memória:
Eu já comprei esta ideia
Dia que disse 10
Pim: "Pai, cola o meu gancho que partiu-se o peixinho."
Eu: "O pai cola. Põe por favor na cozinha em cima da bancada, 'tá bem?"
Pim: "'Tá bem. Eu não me preocupo."
Eu: "O pai cola. Põe por favor na cozinha em cima da bancada, 'tá bem?"
Pim: "'Tá bem. Eu não me preocupo."
De memória:
Diz que disse
Diz que disse 9
Pim: "Mãe, o papá foi trabalhar?"
Mãe: "Foi pim"
(...)
Pim: "Coitadinho"
Mãe: "Foi pim"
(...)
Pim: "Coitadinho"
De memória:
Diz que disse
quinta-feira, abril 12, 2007
Já.

Já choveu.
Já dormi e acordei. Já me pus de pé e caí. Já tentei ver o sol na noite e uma estrela nos dias mais tristes. Já falei contigo. Já te disse. Já fiz tudo.
Já gritei.
Já me encontrei em sítios improváveis de mim. Já me vi ao espelho num reflexo que não o meu. Já me perdi pelo corpo de alguém e pelo teu também.
Já sonhei.
Já andei nas nuvens rentinho ao chão. Já vi cair o pó. Já vi a terra.
Já vi.
Já entrei em ti sem estares comigo. Já te adivinhei uma ideia. Já olhei sem ver. Já tentei.
Já dei de mim o que não tinha. Já me entreguei na surpresa de um beijo. Já disparei uma flor.
Já fiz.
Já olhei pela janela aberta. Já fechei os olhos no escuro. Já andei depressa demais para não sair do mesmo sítio.
Já está.
Já pus no papel as letras todas que tinha para pôr.
Hoje já escrevi.
De memória:
Tinha mesmo que escrever isto
sexta-feira, março 30, 2007
Eu tenho um amigo que é amigo de um amigo meu.

Eu tenho um amigo que é amigo de um amigo meu.
Que ri e chora como os outros.
Frustra-se com as expectativas e dá com a cabeça nas paredes.
Chora quando lhe apetece e ri muito.
Apaixona-se pelas pessoas. Às vezes desilude-se e então, segue viagem.
Ultrapassa os problemas com calma e prende-se nos detalhes das relações.
Conhece gente nova e dá o que tem de melhor.
Tem ideias que nunca hão-de sair da sua cabeça e outras que leva ao fim para serem um sucesso ou então, nada.
Eu tenho um amigo que é amigo de um amigo meu.
É admirado, seduzido, olhado de lado e bom amigo.
Deixa-se levar num semáforo pelas nuvens e encandeia-se com o sol, por mais ténue que seja a espreitadela.
Tem filhos que ama e que o fazem sofrer quando se magoam.
Brinca ao fim do dia e quando chega a casa distribui beijos.
Eu tenho um amigo que é amigo de um amigo meu.
Que quando se sente baralhado e confuso agarra na cabeça e escreve com ela pela noite dentro.
Dá voltas ao mundo que conhece e conhece mundos onde nunca foi.
Tem sempre opinião fundamentada. Seja na experiência ou na frescura de quem está de fora e sobre o assunto não sabe nada.
Acorda bem disposto e pronto para aproveitar as horas que o dia lhe der. Corre atrás de mais um sorriso por menos franco que seja e até é capaz de gostar de quem lhe faz mal.
Pensa em tudo e em nada e tem tantos segredos como outro amigo qualquer.
Guarda para si momentos seus e partilha com estranhos os sonhos de uma vida.
Incomoda-se com os maus jeitos da vida. Fica triste. Não lhe apetece.
Percebe muito de muito pouco e alguma coisa sobre o muito que há para saber.
Gosta de música. Tem medo do silêncio a não ser que esteja num teatro, num cinema ou numa sala de espectáculos.
Adormece ao som dos dias que batem como ondas nas paredes do crânio. Agita-se com as injustiças e custa-lhe não ter tempo para quem gosta dele.
Eu tenho um amigo que é amigo de um amigo meu.
Que agarra no telefone só para dizer olá porque não há nada pior que um olá pendurado por preguiça.
Sai de casa de manhã e adora a língua dos mais pequeninos, atabalhoada numa imensidão de coisas que têm para dizer muito depressa.
Tem pena de não ter mais tempo para perder porque lhe sabe bem perder tempo ao sol.
À noite, não dispensa um café na máquina nova e o frio do mar que lhe entra peito adentro.
Pode chover o mundo que há-de sempre estar bom lá fora para mais um cigarro. Detesta o vício que lhe dá tanto prazer e já o largou uma vez porque sim.
Eu tenho um amigo que é amigo de um amigo meu.
Que admira nos outros a racionalidade que não tem e que se esforça para que venha alguma na rede que lança lentamente todos os dias.
Quando encostado à parede, perde-se nas entrelinhas do interlocutor porque há sempre coisas que não se podem dizer e outras que não quer ouvir.
Deslumbra-se num traço, numa mancha de cor ou numa forma complexa de tão simples que é.
Aninha-se no quente dos corpos quando tem frio e no quente dos olhos quando quer mimo.
Agarra-se aos gestos e ao tom de voz quando ama. Imita quem gosta. Escreve muito.
Eu tenho um amigo que é amigo de um amigo meu.
E se os dias tivessem música nas ruas e um espelho gigante no céu, esse amigo que eu tenho que é amigo de um amigo meu, era eu.
De memória:
Tinha mesmo que escrever isto
quarta-feira, março 28, 2007
Diz que disse 8
A meio da segunda parte do Portugal vs Sérvia, senta-se a Pim ao pé de mim e diz: "estás muito doente pai."
"estou?" perguntei eu.
"muito. vou fazer-te uma consulta" e foi buscar a sua malinha de médica.
Auscultou-me, mediu-me a tensão e tirou a febre.
"então sra. dra. acha que estou doente?"
"sim sim"
"e acha que preciso de algum medicamento sra. dra.?"
"sim, toma"
já no fim da consulta, agarrou no martelo para testar os reflexos e deu-me uma valente martelada no joelho.
"então filha!"
olhou muito séria para mim e disse-me: "não é filha, é sra. dra."
(...)
ando eu o dia inteiro a dizer às pessoas que não me tratem por dr., chego a casa e é isto.
"estou?" perguntei eu.
"muito. vou fazer-te uma consulta" e foi buscar a sua malinha de médica.
Auscultou-me, mediu-me a tensão e tirou a febre.
"então sra. dra. acha que estou doente?"
"sim sim"
"e acha que preciso de algum medicamento sra. dra.?"
"sim, toma"
já no fim da consulta, agarrou no martelo para testar os reflexos e deu-me uma valente martelada no joelho.
"então filha!"
olhou muito séria para mim e disse-me: "não é filha, é sra. dra."
(...)
ando eu o dia inteiro a dizer às pessoas que não me tratem por dr., chego a casa e é isto.
De memória:
Diz que disse
domingo, março 18, 2007
Isto vai

À média de um post por mês, temo pela saúde deste bloco de notas.
A verdade é que o tempo, ora não permite, ora não ajuda, ora não me inspira, ora é hora de ir para a cama.
A verdade é que tenho os minutos quase contados.
Tenho um filho novo que precisa de mimos e carinhos e mais coisas que os filhos novos precisam. E que muito disso dá a mãe enquanto eu me encarrego da pim. E tudo isto dá muito trabalho, muito prazer e muito de nós. Nunca como agora – que se juntou no mesmo prazo tudo o que havia de se juntar – me senti tão precisado de me concentrar, de me focar, de me organizar. Nunca como agora precisei de mim mais afinado. E tenho-o feito. À custa de pequenas coisa, como escrever aqui.
Mas não desisto e não me esqueço.
Navego menos, deambulo menos. Distraio-me menos. Ainda não sei se me faz bem mas tenho que o fazer.
Tenho que. Tenho que.
E depois há as ideias – que até essas se começaram a focar. As ideias disto e daquilo que agora vêm mais para isto e muito menos para aquilo. Agora é para aqui e parece que de repente se fecharam as torneiras todas de uma vez. Agora abro uma. E fecho. Abro outra, e fecho.
Sinto que dantes se abriam todas de uma só vez. Coisas em catadupa que me enchiam a cabeça e me faziam voar por imagens e sons e palavras e pessoas e caras e corpos e pormenores de um dia. Objectos que se abriam donde saiam mais objectos e mais coisas e outras coisas. E bastava o som do comboio a passar para me levar lá dentro com toda a gente que lá vai – de quem não sei nada mas imaginava saber.
Continuo atento e observo. Surpreendo-me ainda. Viajo ainda. É só tempo de aprender a viver com isto.
De memória:
Desabafos
quinta-feira, fevereiro 22, 2007
(já estava quase a rebentar e tinha que pôr isto no papel)
Depois dos dias primeiros, aproxima-se agora a passos largos o momento de voltar ao trabalho.
E não me apetece. Não me apetece.
Não queria voltar às rotinas, aos projectos, às pessoas. Queria ficar para sempre aqui com o meu filho, com a minha filha e com a mulher que deu vida a isto tudo.
Não me apetecia voltar às reuniões, aos projectos, aos tempos de cumprir, aos prazos apertados, aos caprichos de quem manda.
Não me apetecia voltar ao computador do escritório, ao meu gabinete, ao telefone com 2 linhas. Não me apetecia voltar às mesmas vozes, aos mesmos corredores, às mesmas luzes.
E verdade seja dita, gosto disso tudo – de umas coisas mais do que outras.
Mas voltar a entrar no carro de manhã e voltar ao fim do dia, logo agora que o gajinho pequenino há-de começar com os sorrisos, com os olhares, com as expressões, com tudo. Logo agora que há-de começar a dormir menos e estar mais e mais tempo acordado. Logo agora que há-de começar a virar-se, a descobrir o mundinho cá de casa e o da rua quando estiver menos frio.
Raios partam esta coisa de ter que trabalhar.
Vou fazer tudo muito bem e muito depressa para voltar assim que possa. Ai vou vou.
De memória:
Tinha mesmo que escrever isto
terça-feira, janeiro 30, 2007
Nunca o sol brilhou tão forte

O tempo tem estado o que se sabe, mas a verdade é que nunca o sol brilhou tão forte.
Foi sexta feira, enquanto chovia e fazia frio, e as nuvens negras iam e vinham que o meu filho quis vir ver o que era isto afinal da "vida".
Foi sexta feira que o rapaz quis espreitar fora do quentinho da mãe. E desde esse dia que o sol não pára de brilhar. Forte como nunca.
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